Santa Casa de Mogi encerra a maternidade

Após 200 mil partos, Santa Casa de Mogi encerra a maternidade

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A partir de 1º de Setembro, Santa Casa de Mogi encerra os serviços de maternidade. Partos na rede pública de Mogi passam a ser realizados na Maternidade e Hospital da Mulher Leila Caran Costa, inaugurada em maio

Neste 1º de setembro, a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes conclui um dos capítulos mais marcantes de seus 153 anos de história. Após aproximadamente 45 anos de funcionamento e cerca de 200 mil nascimentos, encerram-se na instituição as atividades da Maternidade, Centro Obstétrico, Pronto-Socorro Obstétrico, Berçário, UTI Neonatal e os demais serviços relacionados ao pré-parto, parto e pós-parto.

Os atendimentos serão integralmente transferidos para a Maternidade e Hospital da Mulher e da Criança Leila Caran Costa. Equipamento da Prefeitura de Mogi das Cruzes localizado na Rua Francisco Affonso de Melo, 550, em Braz Cubas.

LEGADO DE APROXIMADAMENTE 200 MIL VIDAS

Nesses 45 anos, estima-se que aproximadamente 200 mil crianças nasceram na Santa Casa, número equivalente a quase metade da população de Mogi das Cruzes. A história da assistência às gestantes na instituição é ainda mais antiga. Os cuidados remontam aos anos 1970, período em que os partos eram acompanhados por parteiras e os médicos chamados em situações de cesariana ou complicações.

Ao longo das décadas, a estrutura evoluiu e a Santa Casa consolidou-se como referência regional em Obstetrícia de Alto Risco e Neonatologia. Atendendo pacientes de Mogi das Cruzes e de outras cidades do Alto Tietê. Nos últimos anos, eram realizados em média 350 partos por mês, sendo mais de 85% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O complexo dedicado à assistência materno-infantil chegou a contar com 55 leitos de enfermaria e 26 leitos de UTI Neonatal.

O setor que abriga a Maternidade, o Berçário, o Alojamento Conjunto e toda a Unidade Neonatal leva o nome da mogiana Valentina Mello Freire Borenstein. Conhecida como Dona Loloya, ela foi uma incomparável benemérita da Santa Casa. Nesse espaço vieram ao mundo milhares de cidadãos que hoje atuam nas mais diferentes profissões, no Brasil e no exterior.

ONDE NASCERAM DUAS CELEBRIDADES MOGIANAS

Um dos nascimentos de maior projeção pública foi o do jogador Neymar Jr., em 5 de fevereiro de 1992. O parto foi realizado pelo saudoso ginecologista e obstetra Luiz Carlos Bacci. Oito anos antes, em 12 de março, Luiz Carlos havia celebrado no mesmo endereço a chegada do seu filho, o jornalista e apresentador Luiz Bacci.

A partir de 1º de Setembro, Santa Casa de Mogi encerra os serviços de maternidade. Com isso, a Maternidade e Hospital da Mulher Leila Caran Costa passa a realizar os partos na rede pública de Mogi

GRATIDÃO AOS PROFISSIONAIS E ÀS FAMÍLIAS

Por trás dos números estão milhares de histórias construídas por mães, crianças, famílias e gerações de profissionais. Médicos, profissionais de enfermagem e de outras áreas assistenciais, colaboradores, gestores, voluntários e parceiros participaram dessa trajetória. No momento da transferência, aproximadamente 250 profissionais estavam envolvidos nas diferentes atividades relacionadas à assistência materno-infantil.

“Imensa gratidão é o sentimento que define a Santa Casa de Mogi diante do encerramento desse grandioso ciclo. Agradecemos demais a cada um que passou por aqui! Profissional ou paciente, trabalho e confiança, todos deixaram um pouco de si na maternidade. Desejamos todo sucesso ao novo hospital para garantir atendimento de qualidade às mamães e bebês!”, manifesta-se a provedora Miriam Nogueira do Valle.

Segundo o vice-provedor Flávio Ferreira Mattos, a Santa Casa desenvolveu a assistência obstétrica sob o princípio elementares: “oferecer o nosso melhor sempre, nas condições que temos, enquanto não há recursos para fazer melhor ainda”. O compromisso com a excelência, a evolução constante e a dedicação plena permanecem como alicerces para todas as ações.

HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

Inúmeros casos de superação estão ligados à maternidade da Santa Casa. Milhares de recém-nascidos prematuros acolhidos na UTI Neonatal. O menor já registrado nasceu com 440 gramas, chegou a 380 gramas em razão de complicações e recebeu alta hospitalar saudável, com 2,5 quilos.

Em outro episódio recente, uma equipe multiprofissional coordenada pelo cirurgião pediátrico e urologista pediátrico Kleber Sayeg realizou o tratamento de uma bebê de 1,64 quilo que nasceu com gastrosquise, defeito congênito caracterizado por uma abertura na parede abdominal, por onde os intestinos e outros órgãos desenvolvem-se fora do corpo. A doença acomete um a cada 5 mil nascidos vivos.

FORMAÇÃO DE GERAÇÕES DE PROFISSIONAIS

Nas décadas de 1970 e 1980, a Santa Casa também funcionou como hospital universitário. A unidade recebia residentes e estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Profissionais que se tornaram referências na medicina participaram dessa trajetória, contribuindo para a formação de novas gerações e para o desenvolvimento da assistência obstétrica regional. Esse legado humano, assistencial e científico permanece como parte da história da Santa Casa.

Nos anos de 1980, a Santa Casa e outros hospitais de Mogi passaram a atender pacientes da Previdência Social. A modalidade antecedeu ao SUS sendo restrita a trabalhadores com carteira assinada e contribuição previdenciária). Na década seguinte, a Santa Casa montou uma equipe de médicos plantonistas, como conta o ginecologista e obstetra Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho.

Os avanços mais expressivos em assistência obstétrica na filantrópica vieram nos anos 2000, como aponta Chico Bezerra. “Trabalhei com dois grandes provedores: Airton Nogueira e Austelino Pinheiro de Mattos”, aponta Chico Bezerra. Chico relata que maternidade e berçário registraram importantes melhorias, possibilitando a realização de cerca de 300 partos por mês. “Nesta época, havia residência médica e plantonistas na porta de entrada. A Santa Casa prestou grande serviço às gestantes de Mogi e de outras cidades e se tornou referência”.

TRANSIÇÃO SEGURA

O processo de transferência dos serviços para a nova Maternidade Municipal começou em março e será concluído em 31 de agosto. A transição ocorre, de acordo com a Santa Casa de Mogi, sob acompanhamento de comissão técnica formada por profissionais da Secretaria Municipal de Saúde. Também acompanham a transição representantes da Santa Casa e do Instituto Social Hospital Alemão Oswaldo Cruz, organização responsável pela gestão do novo equipamento. O objetivo durante todo o processo foi preservar a continuidade da assistência, a segurança e o bem-estar das pacientes e dos recém-nascidos.

MAIOR DEDICAÇÃO A OUTRAS ESPECIALIDADES

Com a transferência dos serviços materno-infantis, a Santa Casa deverá ampliar os atendimentos em outras especialidades. Entre elas Ortopedia, Oftalmologia, Neurologia, Urologia, Vascular, Cardiologia, Cirurgias Gerais e Hemodinâmica, além de manter todas as demais atividades do Pronto-Socorro 24 horas.

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