Essa é a expectativa da direção da Santa Casa de Mogi, que hoje sofre com constantes superlotações por se tratar da única maternidade pública da região, recebendo pacientes de outros municípios
Na última sexta-feira 23, Camila Pereira da Cruz entrou em contato com o Jornal de Jundiapeba. Grávida, Camila reclamava de problemas que ela e demais gestantes estavam passando na Santa Casa de Mogi das Cruzes. “Na última vez que fui internada, tive que esperar uma tarde inteira para conseguir um leito e hoje não está sendo diferente.”
Camila questiona a estrutura da Santa Casa de Mogi. “Ontem estive no PS obstétrico o dia todo passando mal, faço acompanhamento semanal, por isso preciso ficar lá dia o dia todo para darem conta dos exames e até para fazer cardiotoco, e eles recisavam de mais máquinas para esse procedimento, chegamos lá com dores e vamos embora com o corpo ainda pior por conta do cansaço da espera, naquela sala de espera cheia de cadeiras quebradas e desconfortáveis.”
A gestante prossegue: “Voltei para passar na obstetrícia com consulta agendada e receber assinatura do médico ginecologista plantonista para autorizar uma laqueadura a ser realizada junto com parto cesárea. A médica não assinou a autorização da laqueadura alegando que teria que solicitar uma internação por conta de problema de pré-eclampsia citado em exame e documentos e que não interferiria em nada no procedimento da laqueadura, havendo uma espera enorme como de costume para liberar algum leito, porém o leito liberado é no corredor.”
FALHA NA COMUNICAÇÃO, ACREDITA GESTANTE
Camila relata conflitos de comunicação entre os setores do hospital. “Me ligaram do setor da laqueadura perguntando por que não levei de volta os documentos necessários junto com a assinatura de autorização da médica para agendarem a data da laqueadura com o parto cesárea, médica alegou que ficava junto ao prontuário para internação e que nada iria interferir no procedimento. Porém, graças a Deus, o setor da laqueadura foi atrás desses documentos e que o sistema de laqueadura precisa da assinatura da ginecologia, que é o procedimento correto para agendamento da laqueaduras, que médicos e enfermeiros seguram documentos e depois a cirurgia acaba não sendo realizada. Poxa, falta de comunicação entre equipes do mesmo hospital!”
“Nesse meio tempo as enfermeiras me chamaram e eu estava esperando no setor da laqueadura, já que já tinha aguardado tanto tempo a liberação de leito. Me chamaram para internação e eu não estava lá, alegaram evasão, só consegui vir embora porque a responsável do setor da laqueadura precisava do documento de gestante, senão eu estaria lá repetindo os mesmos procedimentos de solicitação de um novo pedido de internação. Mas dei graças a Deus, como que eu ficaria arriscando minha vida e do meu bebê num leito no corredor com milhões de pessoas com doenças diferentes?”
NOTA DA SANTA CASA DE MOGI DAS CRUZES
O Jornal de Jundiapeba entrou em contato com a Santa Casa de Mogi das Cruzes para ouvirmos os dois lados. Em nota, a assessoria de imprensa do hospital emitiu o seguinte comunicado:
“Hoje, a maternidade está sofrendo superlotação momentânea, com prioridade de atendimento para os casos graves de gestantes. A Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes pede a compreensão das demais gestantes neste momento, até que haja a normalização dos atendimentos. Todos estamos fazendo o máximo para que o fluxo de atendimentos volte à normalidade o mais breve possível.”
INÍCIO DAS ATIVIDADES NA MATERNIDADE AJUDARÁ A DESCENTRALIZAR OS ATENDIMENTOS NA SANTA CASA
Essa é a expectativa da Santa Casa de Mogi das Cruzes, que hoje atende pacientes não só de Mogi das Cruzes, mas de municípios vizinhos e até mais distantes. “Esses picos de atendimentos a gestantes sempre acontecem, e só Mogi conta com maternidade pública, sobrecarrendo a Santa Casa, que recebe pacientes de Biritiba-Mirim, Salesópolis, Guararema e até de Bertioga, e nossa capacidade é limitada, por isso as superlotações. Mas com a inauguração da Maternidade Municipal de Mogi das Cruzes, a tendência é que os atendimentos sejam descentralizados”, concluiu a assessoria de imprensa da Santa Casa de Mogi.

